Desde meados do ano passado, enquanto eu trabalhava igual a um maluco em três turnos (ninguém mandou querer ser professor), me questionava o que iria fazer com o dinheiro que ganhava. Afinal eu não tinha tempo, nem perspectivas de tê-lo, para aproveitar os ganhos. Então resolvi dar um quarto da minha grana para o governo (imposto de renda). Nesse momento eu parei, apelei! Foi a gota d’água! Imagine a frustração que me deu ao ver o quanto de trabalho que dera para juntar um “tiquinho” de dinheiro e tendo que fazer essa caridade forçada? Resolvi parar com a correria, também por conta da Diabetes, e aproveitar mais o pouco que ganhava e a vida que passava.
No começo desse ano, janeiro, liso e com as contas do início do ano apontando, comecei a pensar em uma viagem de moto, sonho antigo. Obviamente precisaria da moto! Fiz as contas e percebi que apertando daqui e dali eu conseguiria comprá-la financiando uma parte. Por quatro vezes consecutivas o negócio deu errado. Fiquei desestimulado e desisti da compra naquele momento. Resolvi aguardar a linha 2009 e torcer para sair uma injeção eletrônica no meu sonho de consumo. Aí seria moleza atravessar os Andes! Mas estou com o pressentimento de que vou pagar caro por essa decisão adiada – comento isso depois.
Ainda em janeiro, meu projeto era modesto: uma semana em Buenos Aires. Afinal, não tinha recursos para suportar uma viagem mais longa. Comecei a pesquisar mapas, roteiros, diários de viagens de motoqueiros e mochileiros, albergues e outras referências. Percebi que seria uma empreitada viável. Um passeio espetacular! Só que comecei a me acostumar com a idéia e o desafio não pareceu-me tão grande. Ambição…
Continuei lendo relatos de outros motoqueiros, olhando fotos de viagens e me deparando com outros desafios. Amazônia, Machu Picchu, Atacama, Ushuaia, Caribe, México, Canadá! “Povo maluco”, pensava eu. Mas nessa eu já tinha sido fisgado e estava entre Ushuaia e Machu Picchu. Ushuaia seria uma aventura e tanto, mas os roteiros para Machu Picchu me pareciam mais emocionantes, com mais atrações pelo caminho.
Buenos Aires ficou de lado, afinal seriam apenas 6 mil quilômetros, ida e volta. Machu Picchu saltou aos meus olhos, 10 a 12 mil quilômetros, ida e volta, de pura aventura. Fiquei mastigando a idéia até março. Encostei o projeto Buenos Aires e comecei os esboços para o projeto Machu Picchu.
E cá estou! Traçando as possibilidades, detalhando a viagem e estudando formas de burlar a falta de grana… Ainda bem que o cérebro é bem criativo e as compras podem ser parceladas em 10 vezes no cartão de crédito!